quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Salvadora de ninguém

Vi alguém que parecia precisar de ajuda. Parecia que se afogava na realidade... gesticulava por ajuda, mas estranhamente não soltava um único grito de socorro. Estranho.... mas talvez não tenha voz? Talvez não consiga pela cansaço? Não consigo ver alguém em situação de perigo e ponderar se ajudo ou não. Lanço-me e nado para auxiliar.....
Quando fora de água parecia mais perto, mas ao nadar vi que a distância era bem maior! Nadei dando o meu máximo, pois aquela pessoa precisa de ajuda.
Aproximando-me pouco a pouco, o cansaço ia sendo acumulado e os braços ficando sem forças. Que raio!?.... Parece que quando mais vou chegando perto mais correntes inesperadas vão aparecendo do nada!! O nível de dificuldade vai subindo! Mas.... parecia tudo tão calmo antes de me lançar!? Continuo dando o meu máximo; as forças virão de algures! Espero!...

Mais perto continuo sem ouvir a voz pedindo socorro, mas o gesticular continua obvio. Estou quase lá!!

"Alcancei-te!! Finalmente!! Estou cansada, mas alcancei-te!! Vou te levar a porto seguro!"

De repente a sua aflição leva a que me comece a empurrar para debaixo de água!! Está a ficar difícil de controlar a situação!
Quanto mais tento levar a pessoa para terra, mas esta me mantem de baixo de água! Não estou a conseguir respirar, mas continuo a tentar com o folgo que me resta!!

A situação agrava-se...O ar acabou e estou demasiado fraca para me conseguir afastar!! O esforço para alcançar levou-me as forças e já nada resta. Será que é o fim??

Acabo por ceder.... sem forças nem forma de respirar por cima de tudo....
Ao ir no auxilio de uma pessoa fui eu quem se afogou....
 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Irritação

Sinto uma irritação total e inquietante que não me deixa o consciente.
Irrita-me o som dos pés nos degraus; portas a fechar; o murmúrio da gente no café; o lápis que cai no chão; a nuvem que passa. IRRITA-ME.
Irrita-me o olá, o adeus, o até já, o bom dia, boa tarde, boa noite.
Irrita-me o dia-a-dia...
Irrita-me tudo e todos por razão nenhuma e por todas as razões.
Irritam-me os factos que de facto não existem; e os que existem também!
Irrita-me poder confiar, na confiança que não me dá e nas palavras em que me custa confiar.
Irrita-me mesmo assim tentar.

Irrita-me ter de fazer o que tenho, quando o que tenho de fazer não é isso.
Irrita-me não saber o conceito do "não" e saber tão bem que é do "não" que preciso.
Irrita-me o que é inconstante e o que é inconstante é o que me atrai. Irrita-me o que me atrai.

Irrita-me o não saber porquê e ao mesmo tempo saber.
Irrita-me não conseguir ser tão boa pessoa como quero, não ser o que pareço, mas sempre tentando se-lo.

Irrita-me não me compreender e irrita-me que quem me compreende não me conhece.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Jaula de Leões

Se o olhar mata-se, acho que eu estaria neste momento em muito mau estado...
De repente deixei de ser considerada uma das "protegidas".
De repente, na mente de algumas pessoas, eu não sou a pessoa que deveria estar a ter sucesso com uma pessoa que admiro muito.
Fizeram uma escolha e eu não fui a escolhida. Mas o mais complicado é que a pessoa que eles escolheram, para ter esse "sucesso", não foi a "eleita" pela pessoa que, afinal de contas, interessa.
O que eu vejo, é uma tal pressão feita por eles, para que o que eles querem, resulte , que a pessoa que interessa, já se está a sentir dividido, pressionado e quase que forçado a lidar diariamente, com uma situação que não criou e não quer lidar com!

Parem de querer controlar TUDO! Parem de querer que a vossa vontade permaneça sobre todos! Parem de arruinar a vida dos outros só porque vocês se acham no direito de achar, seja o que for. O vosso querer não é soberano; poucas vezes na vossa vida e nunca na dos outros.


Se vocês fossem mesmo bons amigos da vossa protegida, como pensam ser, protegeriam-na desta situação embaraçosa. A vossa insistência e imponderado apoio neste assunto  a faz magoar-se mais.


Magoaram-me a mim com a vossa leveza de espírito aquando a análise da consequência dos vossos actos, mas ao menos, tomem consciência pelo menos no caso dela e poupem quem vocês gostam.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Não preciso que me perguntem porquê.
Apenas preciso que esteja lá. Alguém.

Não preciso de alguém que me segure antes de cair....
A queda não me assusta.
Só preciso de alguém que esteja pronto para que agarrar depois.

Preciso daquela mão que me ajude a levantar.
Que ajude a limpar o pó da roupa.
Que abrande o seu passo para que eu consiga acompanhar.
Uma voz que diga que tudo acontece por uma razão.
Que a queda não foi em vão.
.
E que um dia não precisarei de ninguém para me ajudar a levantar, pois não cairei.

O ridículo

O que é ridículo é a cegueira que nos venda os olhos e nos faz acreditar em realidades que não o são.
Quantas mais vezes esta cegueira irá fazer os seus estragos e deixar que tudo se repita...vezes....e vezes.....e vezes.... sem conta,  como cair num espaço infinito.
Será esta cegueira apenas o resultado de excesso de expectativa nos outros? Ou será criada pela vontade de que seja tudo como realmente gostaríamos?
Acho que eu, sou a minha própria cegueira.... As mãos que me cobrem os olhos da razão são as minhas próprias mãos e não as de mais ninguém... Não há ninguém a culpar; a não ser eu.


Surgem questões em pensamento às quais, simplesmente, não quero obter as respostas.

Mergulho demasiado fundo, quando não sei se terei folgo para voltar a cima.
Continuo a avançar numa direcção, que não sei se sei voltar atrás.
Aposto com cartas que não tenho.
Fecho as portas sem levar a chave para regressar.
Ofereço as balas, que poderão mais tarde disparadas contra mim.

Não entendo, porque o faço tendo em pensamento a noção de tudo isto.
Talvez seja por causa de algo que nunca me abandona... Que por vezes deveria ser a primeira a morrer....

A esperança..... a ridícula da esperança.




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Desejo de um Brinquedo.

Odeio a realidade de um brinquedo.
Concede alegria e divertimento a quem o possui e é esquecido o seu valor no momento que se segue.
Serei assumida como tal? Um objecto?

Estou presa como marioneta a este estatuto que me dá.
Sem voz ou com ela reprimida... Não conseguindo recusar um pedido de atenção, maldoso e interesseiro, sempre mascarado por uma falsa sinceridade.
Concedo sempre mais uma oportunidade... na esperança de ser reconhecida alguma vez. Nunca acontece.
Apenas mais uma vez, inversamente aos contos infantis, a humana se torna num brinquedo e acaba por ser, novamente, usada e depois renegada a sua importância até que por qualquer circunstância (porque apetece) volte a ser requisitada para dar alguma atenção.

Odeio estas amarras que me impedem de marcar limites. Odeio tomar como importante alguém que não me tem como importante. Odeio conseguir perdoar tão facilmente para depois me magoar.

Vezes sem conta.




P.S Os contos de fadas não existem, mas o seu inverso sim. Curioso.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Medo. Dúvidas. Insegurança.

Sinto-me frágil...ansiosa...insegura...desprotegida...exposta...ciumenta...com medo.

Mais uma vez a vida me está a dar uma oportunidade, mas não sei se confio nas oportunidades que me dá.
Até ao momento deu-me oportunidades, mas tirou-me o tapete de baixo dos pés.
Acabei sempre por cair.
Já me magoei vezes de mais... Já sofri vezes de mais... Já chorei vezes de mais.
Perdi auto-confiança, ganhei receios, dúvidas, inseguranças.
Tenho medo.
Tudo parece correcto, mas também antes tudo parecia.
Tenho medo.

Sei que vou acabar por me deixar envolver se continuar...
E se não resultar como desejo...tenho medo de não me conseguir levantar mais uma vez...
Eu tenho medo.
Eu estou com medo.

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Aterrorizada talvez? Em pânico? Confusa.
Tanto me transmite a confiança de que preciso como a tira; apagando qualquer sentido de a ter tido alguma vez...
Vezes. E vezes. E vezes....
Gelam-me e tremem-me as mãos. Não consigo evitar a reacção.
Até que ponto o que espero é o mesmo que o outro lado espera?
Tendo a esperar sempre mais do que devo. Pergunto-me porquê, mas resposta para isso só eu a posso ter; E não a tenho.
Ouço as vozes que me dizem "Arrisca", "Vai dar certo, "Aproveita e não te preocupes com o depois"
Pois...Mas depois de tudo...
Já não sou a pessoa a quem esse depois é indiferente.
Sou alguém que sente
....Demais.